Barquinho de papel
Memórias rápidas de 15 anos, alguns CEPs e a gente que continua
Os bonequinhos que estavam no bolo do nosso casamento e, ao fundo, a foto, presente do grande Pedro Martinelli, no minuto seguinte ao sim. Juba estava tão linda, tão inteira, tão presente.
Lá se foram 15 anos, alguns CEPs e muita vida.
Meu bonequinho já está desatualizado há muitos anos. Ele representa um momento antes dos anos no Japão, pra onde fomos de peito aberto, numa mistura de curiosidade aventureira e coragem. No Japão a gente viveu e cresceu, fomos muito felizes do outro lado do mundo. Foi onde veio a Cecília e por isso Tóquio é pra sempre.
Foi antes dos anos no Rio de Janeiro, à beira-mar, pés na areia todo dia, ótimos amigos, anos do Troca de Passes, e onde vivemos a gestação da Clara, que por alguns dias nasceu em São Paulo.
Aqui Ceci e Cacá cresceram e ajudaram a gente a continuar crescendo. Aqui escolhi novos rumos pra minha carreira, sempre carregando tudo que veio antes. Enquanto a Juba segue crescendo. Sempre forte, sempre linda, até no maior susto que já enfrentamos, que ela encarou com uma coragem renovada e inspiradora. E de novo atravessamos. Estamos aqui, do outro lado.
Depois de 15 anos daquele bonequinho que representa um momento que parece ter sido em outra vida. Não foi. Somos uma continuidade daquilo que já fomos.
E assim, como na música que tocou quando a Ju, tão linda quanto hoje, entrou na igreja 15 anos atrás, seguimos, como um barquinho de papel que se recusa a afundar.


